
Sou eu que começo?Não sei bem o que dizer sobre mim. Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua. São muitas mulheres em uma só, e alguns homens também. Prepara-se para uma terapia de grupo.
Porque estou aqui é uma pergunta que me faço desde a hora que acordo até a hora de ir dormir. Não saberia dizer a razão concreta.
Você me pergunta qual a minha dor e isso me paralisa. Quero saber, entre todas aquelas quem eu sou, quem é a chefe, quem manda dentro de mim. Me confundo com tanta autoridade, já não sei bem a quem obedecer. Acho que a própria cronologia é um entrave pra mim, às vezes tenho a impressão de estar vivendo de trás pra frente. Normalmente as pesssoas são infantis e depois amadurecem, são questionadoras e depois encontram respostas que lhes servem. Comigo não tem sido assim. Eu vou e volto, vou pra esquerda e pra direita, avanço e retrocedo. Não que isso me incomode, sinto até um certo prazer em me perder neste labirinto. O que dói, talvez, seja essa mania de querer competir com o tempo e vencê-lo. Não sei explicar direito.
Tenho uma vida boa, melhor do que muitos costumam alcançar um dia. mas sinto que estou por atravessar, por invadir um terreno desconhecido...se você me ajudar a abrir a cancela e a me dirigir para este sei-lá-o-quê que me chama.
Divã - Martha Medeiros

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